quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Soneto


Fez-e a hora de ir n'outro caminho
Se apartando das mãos de quem um dia
Se dispôs transformar-se em poesia
E na torta estrada fez alinho.

Tudo isso eu carego ao escanhinho
esperando, talvez, a calmaria
Que chegando após a nostalgia
Dos pesares que encontrarei sozinho.

E perdido, quem sabe nessa andança
Uma hora se acende o pensamento
Que as distancias extremas sei que alcança

Evolando e correndo à lei vento...
Te fará encontrar minha lembrança
Sepultada em seu próprio esquecimento

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Reflexos


Vejo sua face refletida no embaço
como um ser desconhecido,
sem passado, sem presente...
Os olhos fixos num destino incerto
tateiam um caminho.

Interrogo-me nesse instante:
Que ventos te trouxeram?
E para onde levaram novamente?
Mostre-me essa face
que vagueia por entre estrelas
[ofuscadas].

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Negação


A inconstante troca de afetos esmaga
todas as esperanças de um sentimento que
outrora pulsou tão intensamente...

Sim, houve uma chama que ardia...

Mas as cinzas desta,
se desfizeram com o vento...[errante].
Buscaram talvez, aquecer outros sentimentos
ou simplesmente pairam sem destino
no desamor tão constante agora.
Livres pra encontrar outra chama,
quem sabe, encontrarão.
Ou sempre ficaram à deriva
temendo a rejeição.
Ficaram inertes na dúvida...
Manterão distancia do improvável...
E indagarão ao futuro o que acontecerá...
E só assim, se entregaram novamente
às chamas que aquecem tantos corpos
na madrugada fria...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Sem destino


...Pois cada pingo de chuva
é um lamento,
indagações talvez de um destino errante
que busca saber que rumo seguir...
O norte te espera
cheio de expectativas
sombrias...
De vivas ambições
selvagens...
De tantos amores
interrogativos....

Talvez aquela esfinge
que outrora cruza olhares enigmáticos
nem exista mais...
Talvez,
se desfez como o próprio pensamento em sí.
As indagações, antes feitas de forma sussurrada,
navegam agora no infinito do passado
como barcos à deriva
em busca de um universo concreto.

-Vá pensamento, vague rumo ao desconhecido,
caminhe por essas estradas
onde o corpo tantas vezes sonhou em caminhar!
E diga àquela esfinge que aquele sussurro rouco
[da madrugada],
ainda percorre o mundo
buscando desesperadamente encontrar seus ouvidos
novamente.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

[IN]constante


Um caminhar, na inconsistência do teu ser
faz de mim adarílho...
Ser vivente
que na escuridão ou luz, te encontrou novamente.
Perdida eras entre as horas, entre os seres,
[entre o nada...
um olhar...E tua fronte,
marcada pela essência de um passado.
[Triste]
Pobre de amor, rico em esperança.
Sentido apenas quando a mão afagava o rosto
cansado.
E, no entretanto, viu no ínfimo destino um corpo...
um ser vivente, pensante, amante...
Que outrora te fez juras de um sentimento e, na outra
te arranca a gota de alegria que te fazia viver.
Entre os olhos, um sorriso
...doce.
Que me liberta das prisões do mundo...
Que me guia nas veredas sombrias do meu ser...

foto: Maria negreiros
fonte: olhares.com

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Angustia




A noite me sorrí...
Fatigada dos desejos
sombrios
Das vontades
negras,
Dos incesantes
gritos
desesperados,
ávidos por sentimentos.
Sinto a chaga magoada
do passado.
Vejo a tristeza nos olhos do desespero
frio
e do choro dos infelizes
[solitários]
e a imagem amargurada dos meus olhos
sofrem.
Sofrem por não poder ver
ou veem o sofrer de nao poder sentir...
Algo que nao seja dor ou
a despedida do meu corpo ao seu.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Saudade



Sinto falta do suspiro
quente
e da voz rouca ao meu ouvido
que pensei que na grande madrugada esqueceria,
mas não...
Senti a falta do suspiro doce,
da trêmula mão que desnorteada
muitas vezes me afaga num momento triste...
Sinto falta da sua vida na minha existência.
Vejo a saudade invadir meu corpo
como a escuridão à noite...
Venha e venha...
Ouça meu chamado.
Acompanhe meu grito desesperado na noite fria
que chora pela sua prensença.
Distante de mim, seu corpo, sua voz, seu amor...
E eu vago como a brisa fria da madrugada a buscar
sua companhia.
Sem caminhos certo, vago...Triste, solitário...
Mas vejo seus olhos na imensidão do infinito.
Olhos que mais uma vez me embriagam de amor...
Não te vejo,mas te sinto...
Como se fosse parte de mim...
Uma parte que falta
e que ao mesmo tempo me completa.